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Ruptura e desastre
 
01.08.2009 - 12h49
Fonte: Folha de S. Paulo
 
 
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      CESAR MAIA
      
      
      DOIS CONCEITOS deveriam ser caros aos políticos. Um de Gladwell -"Tipping Point"- e outro tendo como referência a Teoria da Catástrofe de René Thom. O primeiro é quando um evento de pequena escala produz um ponto de ruptura ou inicia esse processo. O segundo estuda as causas de eventos naturais em ruptura quando tudo parecia normal.
      As equações de previsão são de alta complexidade. No final de um pequeno livro, Woodcock e Davis a adaptam para a política. Exemplificam com a militarização do Império Romano, transformando as relações de produção no campo pelo uso de escravos, formando um exército de cidadãos. O sistema foi ruindo silenciosamente. É como um processo político onde os elementos de ruptura são correntes submersas. Quando afloram, sugerem imprevisibilidade.
      Na Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha mudava o quadro a seu favor, decidiu por um bloqueio naval, pela dificuldade em ocupar a ilha. O que não previa é que estava mexendo com os exportadores dos EUA. A pressão empresarial para entrar na guerra foi irresistível.
      A combinação desses dois conceitos é básica na política, pela diversidade e velocidade dos fatos, e com isso a possibilidade de pequenos impactos, invisíveis, se tornarem viróticos (das fitas cassete de Khomeini ao blog que expôs o caso Monica Lewinsky).
      As análises em política têm que ser feitas num diagrama de alternativas. Vamos escolher dois fatos e apostar que podem ser "Tipping Points" e estarem dentro da adaptação política feita por Woodcock e Davis. Um é o caso Honduras, um pequeno país pobre. O kit chavista, usando a formalidade constitucional, deu certo na Venezuela e foi levado à Bolívia e ao Equador. Cooptou o presidente Zelaya que ao arrepio da lei quis aplicar o kit-Chávez na marra. Chávez colocou as garras de fora e expôs sua impaciência golpista. E, então, foi aplicada a bushiana prevenção estratégica. Novos terceiros mandatos ruirão daqui para a frente, marcados pelo kit fraude-constitucional. Seu fim expansionista cessou.
      Outro fato é a linguagem desabrida de Lula. Sua popularidade permite tudo. Mas vão sendo acumulados na memória popular e o levaram a um ponto onde sua sobrevivência passou a depender desta enorme popularidade. Quando esta se acomodar, a corrente da memória das declarações extemporâneas poderá produzir o jato de um gêiser, como o segundo tempo do Plano Cruzado.
      São exercícios que podem estimular cada um a fazer os seus, com base nestes conceitos, e projetar cenários.
      
      cesar.maia@uol.com.br
      
      
      
      
      CESAR MAIA escreve aos sábados nesta coluna.
      

 
 
 
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